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quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

Exército policia Fortaleza, mas população não pode dar queixa

Com greve da Polícia Civil, delegacias não fazem boletins de ocorrência e investigações estão paradas

A greve dos policiais civis do Ceará anunciada na terça-feira (03) está deixando a população que procura as delegacias de Fortaleza sem atendimento. Com o fim da greve da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros do Ceará, as tropas do Exército Brasileiro e da Força Nacional, mobilizadas para reforçar a segurança do Estado, passaram a fazer a segurança patrimonial das delegacias. Contudo, o registro de boletins de ocorrência e as investigações estão parados.
Segundo o tenente-coronel do Exército Charles Moura, as tropas federais estão atuando nas delegacias apenas para que as prisões possam ser efetuadas. “As delegacias não estão funcionando (para a população). Estão funcionando e atendendo as nossas necessidades”, disse.
Moura não descarta, contudo, que os homens do Exército passem a assumir outras funções de policiais civis, como as de escrivães e inspetores. “Até o presente momento, pelas reuniões que eu acompanhei pessoalmente não tivemos demanda nesse sentido”, ponderou.
 
Delegacia da Polícia Civil é protegida por carro com homens do Exército em Fortaleza
Prisões
Um fato curioso chama atenção na atuação das tropas federais. Como a chamada Operação Ceará não dispunha até hoje de viaturas para realizar o patrulhamento, o governo do Ceará cedeu 100 carros de passeio. Cada veículo é ocupado por quatro homens do Exército. Em uma eventual prisão, não haveria espaço ou local adequado para conduzir um criminoso até a delegacia, já que os carros de passeio andam cheios.
Questionado pelo iG sobre essa logística, o tenente-coronel Charles Moura não soube explicar que tipo de procedimento os soldados estavam adotando para realizar as prisões. “Eu estou imaginando como isso foi feito também. Mas foram efetuadas prisões e posteriormente eu te informo na prática como foi feito. Não acompanhei nenhuma prisão”, admitiu.
A falta de homens, equipamentos e meio de transporte adequados e suficientes para atender a demanda de Fortaleza acabou deixando um vácuo na segurança pública na terça-feira (03) quando Fortaleza viveu um dia de pânico e todo o comércio da cidade fechou. Segundo dados do Centro Integrado de Operações de Segurança (Ciops), 300 ocorrências deixaram de ser atendidas.
Daniel Aderaldo, iG Ceará | 04/01/2012 21:56

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