PREVISAO DO TEMPO

domingo, 29 de julho de 2012

Greves no Brasil


 Crédito: JOÃO LUIS XAVIER 
<br /><b>Crédito: </b> JOÃO LUIS XAVIERSempre que há uma greve no Brasil procuro ler as reivindicações que não foram atendidas e, por consequência, desencadearam o movimento paredista. Como não há mais greves no setor privado, hoje qualquer paralisação situa-se no setor público. E lá está a reivindicação eterna: pagamento dos dias parados. Tornou-se um axioma das lideranças grevistas exigirem remuneração por serviços que deixaram de ser prestados e que jamais poderão ser recuperados, assim como o tempo não caminha para trás. Estava eu (e mais três brasileiros) visitando um poderoso sindicato metalúrgico que congregava os trabalhadores do Boeing, em Seattle, Estado de Washington, costa Oeste dos EUA, quando recebi a melhor definição de greve, dada por um líder sindical. Perguntado quando ocorreu a última greve na Boeing, ele respondeu que fora há mais de 20 anos. Um líder sindical brasileiro que viajava em nosso grupo fez a próxima pergunta: "Vocês receberam os dias parados?". Resposta: "Como assim, receber dias parados? Dias parados são dias não trabalhados". Ele queria dizer que quando se faz uma greve, qualquer trabalhador sabe que terá prejuízos, assim como o patrão. Greve é enfrentamento, é quase uma guerra, logo há baixas de ambos os lados. No caso específico, as baixas são os salários descontados pelos dias perdidos e a linha de produção interrompida ferindo o bolso do patrão. É a noção do prejuízo que apressam as negociações de uma greve com ética, isto é, com o enfrentamento dentro da lei, sem a esperteza da exigência do pagamento dos dias parados. O Brasil inventou a greve do setor público que não é greve, mas um descanso remunerado, cuja conta é paga pelos maiores prejudicados, os contribuintes.





Fonte: Correio do Povo 29julho2012
Coluna do Rogério Mendelski
rogerio@radioguaiba.com.br

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