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quarta-feira, 26 de março de 2014

Vexame na capital da Copa

Na área da segurança, o Rio de Janeiro prepara um retrocesso de cinquenta anos


Estamos, nós brasileiros anfitriões da Copa, relembrando os episódios do golpe militar, ocorrido há cinquenta anos, contra as instituições democráticas do País. Como fui um dos cidadãos que, como jornalista, vivi, perambulando, com sede e com fome, as ruas de Porto Alegre, naquele período de arbítrio imposto por militares monitorados por civis que, ainda hoje, como moscas varejeiras, estão infiltrados e até dirigem órgãos da maior importância da administração pública brasileira, fico pensando, aqui, num cubículo da minha torre, como deverá estar sendo interpretada na aldeia mundial a intervenção do Exército e da Marinha, implorada de forma vexaminosa pelo governo do Rio de Janeiro, a capital da Copa do Mundo, para enfrentar os soldados do tráfico de drogas. Sigam-me

Retrocesso

Há cinquenta anos, a ideologia militar destruiu, amparada por civis colaboracionistas e estrategistas norte-americanos, as nossas instituições civilistas. Conseguimos sacudir a poeira e dar a volta por cima. No entanto, hoje, o governo do Rio, do alto de sua incompetência, pede que o Exército e a Marinha combatam as forças de Fernandinho Beira-Mar, ícone da bandidagem, que está preso. Ocorre que as forças armadas são treinadas para combater o chamado inimigo com direito e poder de atirar para matar. Isso significa que, se a segurança pública no País, como está dando exemplo o Rio - o que poderá ocorrer em outros Estados - exigir a saída das forças armadas dos quartéis contra as tropas de Fernandinho Beira-Mar, a Copa será marco de um retrocesso de, no mínimo, cinquenta anos em nosso processo de civilizabilidade. Imaginem isso: as forças armadas contra a tropa de um bandido que está preso. Mesmo no Rio, isto não vai virar samba

Wabderley Soares - wander.cs@terra.com.br
Jornal O Sul 

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