PREVISAO DO TEMPO

Comunidade dos Policiais e Bombeiros do Brasil

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

RPV, SURPRESA DESAGRADÁVEL RESERVADA PARA O FUNCIONALISMO?

Mudança em RPVs

Por  Taline Oppitz
O Piratini analisa a alteração nas regras de RPVs, precatórios de até 40 salários mínimos. Segundo informações apuradas pelo repórter Carlos Rollsing, o governo pretende ampliar o prazo para quitar os passivos, de 60 para 120 dias, e mudar a tabela de valores, deixando como RPVs só títulos até 20 mínimos, exceto em casos de idosos e portadores de doenças graves. A Casa Civil está redigindo o projeto, elaborado pela Fazenda, mas o governo ainda avalia sua "legalidade jurídica".

Fonte: Jornal Correio do Povo 04/02/2011

ANO 116 Nº 127 - PORTO ALEGRE, SEXTA-FEIRA, 4 DE FEVEREIRO DE 2011



http://www.correiodopovo.com.br/Impresso/?Ano=116&Numero=127&Caderno=0&Noticia=253576

terça-feira, 1 de fevereiro de 2011

JC - 31/01/2011: "Estamos fazendo um arrocho sem plano”, admite Tonollier

Aos 53 anos, o economista, pós-graduado em finanças e auditor externo do Tribunal de Contas do Estado (TCE) Odir Tonollier dirige pela segunda vez a Secretaria da Fazenda em um governo do PT (foi subsecretário de Arno Augustin entre 1999 e 2002). Revela um semblante sisudo e justificável, pois se deparou com um vale de contas a pagar e caixa apertado e que em 30 dias estará negativo. Na sexta-feira passada, o secretário falou, em seu intervalo de almoço, sobre as medidas de contenção de gastos. A estimativa é de que em março faltem até R$ 170 milhões para honrar compromissos. Para o ano, o rombo será de R$ 500 milhões. Também garantiu que até quarta o governador Tarso Genro envia pacote com medidas fiscais que inclui o novo Simples Gaúcho.

Jornal do Comércio - Passado um mês, o que já deu para fazer nas finanças?

Odir Tonollier - A receita não resolve o desafio. O que apostamos é que a economia do Estado seja capaz de dar resposta à arrecadação. Estamos construindo um programa de desenvolvimento que seja capaz de potencializar o efeito do ritmo da economia do País. Temos que aproveitar as oportunidades, por exemplo, de programas federais, criando instrumentos internos para multiplicar os efeitos.
JC - Onde estão as vantagens?
Tonollier - Temos que usar o que é positivo em relação a alguns setores, como o polo naval, virando fornecedores, com boa mão de obra e serviços. Não podemos ser uma mera montadora.
JC - O crescimento previsto da economia gaúcha não sustentará o orçamento estadual para 2011?
Tonollier - A receita tem papel importante, mas não faz milagre. E se a economia estiver mal? A economia esteve bem em 2010, mas não foi possível, sequer, ter equilíbrio das contas, mesmo com receitas extraordinárias do fundo previdenciário e do Ajustar (parcelamento de dívidas). Este ano não haverá essas fontes, mas os problemas vão aumentar. Por isso, para aumentar a arrecadação, precisa crescer mais. O orçamento prevê alta de 6% a 6,5%.

JC - Qual é a extensão das dificuldades?

Tonollier - Será um ano difícil. Na entrada, detectamos R$ 550 milhões a menos na previsão do caixa, o que compromete custeio e o pagamento da folha. O dinheiro fará falta já em março e abril, por isso temos que buscar alternativas. Em março, calculamos R$ 150 milhões a R$ 170 milhões a menos.
JC - Onde vai faltar?
Tonollier - Para a folha de salários, nada. Teremos dificuldades em manter a máquina e em pagar as dívidas de investimentos que herdamos do governo passado.

JC - Como será a administração deste cenário?

Tonollier - Buscando soluções desde o primeiro dia, entre elas administrar gastos que teremos de reter. Março é daqui a um mês. Cada dia procuramos diminuir a conta. Não tem muito milagre a fazer, já que a reação do caixa é limitada. Janeiro é bom porque temos o resultado de dezembro. Já fevereiro e março a receita tem grande oscilação para baixo, o que também é normal.
JC - O que já está sendo feito para reduzir o saldo negativo?
Tonollier - Temos despesas com investimentos passados que reembolsaremos com recursos do Bndes. É dinheiro do programa emergencial do governo federal (PEF 1 e 2), disponibilizado no pós-crise aos estados. O Estado não acessou em 2009, mas buscou no final de 2010 e só não teve tempo de sacar. Serão R$ 170 milhões, e já enviamos a documentação. O financiamento entra em 40 dias.

JC - Haverá outras medidas?

Tonollier - Estamos segurando as contas. Não liberamos novas despesas nem investimentos. Precisamos gastar menos. Não há uma meta de contenção. Juntamos os secretários nos primeiros dias e solicitamos alguns limites (que me reservo não revelar). Como qualquer cidadão que se vê com pouco dinheiro, temos de escolher no que vamos gastar. Estamos fazendo um arrocho sem plano. Se a receita se comportar bem, a contenção termina antes do final do ano. Também temos a meta de aumentar a receita em R$ 400 milhões, além da prevista.

JC - Então, será um primeiro ano sem investimento?

Tonollier - A vantagem é que todo novo governo tem dificuldade de gastar no primeiro ano, pois quase nada está pronto. Os recursos para investimentos virão das cartas-consultas ao Bndes e ao Banco Mundial (Bird). Do primeiro, virão 20% neste ano. Do Bird, repasses só ocorrerão em 2012. Os projetos para ao banco federal serão apresentados em fevereiro para financiamento de R$ 1,2 bilhão (R$ 800 milhões para estradas e o restante para área social e cadeias produtivas, pois o programa é de desenvolvimento econômico e social). O Bndes quer liberar menos para infraestrutura, mas ter estrada é fator para crescimento.
JC - A condição do caixa estava na conta antes de o novo governo assumir? Onde foi parar o déficit zero?
Tonollier – Sim, estava, e houve o debate político na Assembleia Legislativa, mas a maioria era da base do governo. Restou a disputa de versões, e a do governo vingou mais justamente por símbolos como o do déficit zero, hoje já relativizado. A sociedade de uma maneira geral sabe que não existe milagre e não acreditou na tese, tanto que a governadora (Yeda Crusius) não foi reeleita. Quando entramos no governo, tínhamos obrigação e legitimidade para mostrar a real situação.

JC - O que fica de positivo na gestão das finanças dos últimos governos?

Tonollier - O Estado trilha, desde 1999, não porque o Olívio Dutra era governador, mas porque ele assinou o contrato da dívida, um programa de ajuste fiscal, que impôs metas sob pena de corte de transferências federais. Cada governo deu sua contribuição para avançar um pequeno passo no saneamento das contas, que demorará muito. O Estado caminha para uma situação menos ruim, com capacidade para pequenos investimentos. O problema da previdência dos servidores demorará mais que o da dívida para ser resolvido.
JC - Quanto tempo?
Tonollier - Ele será longo e com muita oscilação, quase não muito perceptível. O programa da dívida é de 30 anos e se passaram 12 anos. O problema da previdência vai ficar. Metade do gasto com pessoal hoje (projetado para R$ 10 bilhões líquidos em 2011) é com aposentadorias e pensões. Hoje 58% das receitas são gastos com pessoal. O limite é 60%.

JC - Isso dependerá do modelo de previdência para o futuro?

Tonollier - Não, está atrelado ao passado, pois não foi montado um fundo. Tudo o que for feito hoje terá efeito daqui a 20 anos para frente, e a situação tende a piorar, pois temos de pagar a previdência do passado e a dos novos servidores. Metade do orçamento de mais de R$ 29 bilhões para 2011 paga a dívida e a previdência. Portanto, 50% dos tributos pagos pela sociedade não retornam em serviços públicos. Também vendemos o patrimônio (telefonia, energia, ações do Banrisul) e não colocamos o dinheiro em uma poupança. Se isto tivesse ocorrido, o problema estaria resolvido. Mas vendemos o patrimônio e ficamos só com as contas.

JC - Como será a proposta do Simples Gaúcho?

Tonollier - As alíquotas passarão de 3,95% para 2,95% e por prazo ilimitado. Empresas enquadradas no Super Simples (federal) poderão optar, o que compensará o efeito da Substituição Tributária. O projeto de lei (PL) será enviado pelo governador Tarso Genro entre hoje e quarta-feira ao Legislativo. A vigência é de 90 dias após a aprovação. No mesmo pacote, haverá um PL para aumento da multa por atraso de tributos da atual 0,25% ao dia para 0,33% (igualando-se à federal) e outro para criar o domicílio de tributação eletrônica, disponibilizado no site da Fazenda (www.sefaz.rs.gov.br), para notificar débitos e eliminar cartas impressas. São ações para racionalização e economia.

JC - O que vai mudar no Fundopem?

Tonollier - Vamos alterar diretrizes do fundo, mas nosso programa de desenvolvimento terá outros elementos. Só renúncia fiscal não adianta, pois temos aqui e em outros estados. Busca-se hoje mais o crédito presumido, que é por setores, mas cuja concessão precisa ser muito criteriosa, pois deve estar atrelada ao aumento de receita das empresas e seu efeito positivo na arrecadação.


Jornal do Comérico - pág. 10 - 31/01/2011

SUSEPE: Secretário confirma chamamento de mais uma turma

O Secretário de Governo Afonso Mota, comunicou na última quinta-feira(19), ao Vice- Presidente da Amapergs, Flávio Berneira, que obteve a confirmação do Secretário da Segurança Pública Airton Michels, pelo chamamento de mais uma turma de servidores para realizarem o Curso de Formação de Agentes Penitenciários e Administrativos. Disse também que a Escola Penitenciária já está se preparando para iniciar o referido curso, ainda em fevereiro.

Fonte: www.amapergs-sindicato.org.br

NOTÍCIAS DA ACS JAR

"Estávamos muito ansiosos, desde o inicio em 2009 nós da Associação corremos atrás da Caixa Econômica Federal para aprovar o convênio e  facilitar a compra da casa própria através do Pronasci. Mas o pessoal da Caixa não tinha ideia de como funcionaria o processo. Muitos Policiais Militares nos procuraram no período de 2009-2010, e nós queríamos resolver logo a situação dos policiais, mas o governo anterior não colaborou. A Cada semana o cadastro em nossa sede se multiplicava e o tempo passava, alguns dos Policiais Militares se dirigiam diretamente nas para as agências da Caixa, mas os gerentes não tinham conhecimento de nada. A Associação fez várias reuniões com o Superintendente da Caixa, na sede  (Rua Dom Pedro II - 1057 - Centro) e convocou os Servidores interessados. Finalmente com o novo governo do Estado, parece que as coisas vão melhorar para os policiais. Finalmente o sonho da casa própria tornar-se-à possível"  Anderson Rodrigues
Assessoria de Imprensa

MORADIA PARA POLICIAIS MILITARES E BOMBEIROS
  
Na sexta-feira (21/1), no Palácio Piratini, em Porto Alegre, o governador Tarso Genro, na presença do ministro da Justiça, José Eduardo Cardozo, firmou um acordo de cooperação entre o Estado e a Caixa Econômica Federal (CEF) para que policiais militares e civis possam financiar imóveis pelo banco. A iniciativa contempla os servidores estaduais que recebem até seis salários mínimos (R$ 3,2 mil). Os policiais poderão aproveitar os benefícios do Programa Minha Casa, Minha Vida, mesmo que tenham restrição ao crédito - com cadastro em órgãos como o Serasa e o SPC.
Um dos objetivos do Pronasci é proporcionar moradia digna aos servidores da segurança pública. As cartas de crédito poderão ser usadas para a compra de casas e apartamentos novos ou usados, terrenos e lotes urbanizados e imóveis na planta. Também é possível financiar a construção ou reforma da casa própria. O valor máximo da carta de crédito é definido conforme a capacidade de pagamento, observados os limites dos diferentes programas habitacionais.
As condições de financiamento são facilitadas e incluem quotas variáveis, até 100% do valor do imóvel, de acordo com o prazo contratado, que pode chegar a 30 anos, com taxas de juros especiais e prestações decrescentes. Não será exigida regularidade cadastral dos interessados.
Na quinta-feira (27/1), em Porto Alegre, o maj Franquilin, assessor do Comandante-Geral, visitou o Gerente de Projetos Públicos da Caixa Econômica Federal, Marcelo Marimom Gonçalves. A visita teve como objetivo tratar sobre os convênios PRONASCI HABITAÇÃO que prevêem financiamento, compras e construção de moradias para integrantes da Brigada Militar.

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Postado por Blogger no ACS JAR - Associação de Cabos e Soldados da Brigada Militar, Entidade filiada à FERPM e ANASPRA em 1/28/2011 08:36:00 AM
   

"Ninguém comete erro maior do que não fazer nada porque só pode fazer pouco."
   ( Edmund Burke)

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sexta-feira, 28 de janeiro de 2011

Radar móvel que detecta veículos sem licenciamento pago começa a funcionar no RS

Equipamento tem abrangência de 21 metros

Cid Martins
cid.martins@rdgaucha.com.br

Um projeto piloto para todo o Rio Grande do Sul começou a funcionar nesta manhã nas estradas do Litoral Norte. Chamado de O.C.R. pelos patrulheiros, um novo radar tem a mesma função que o sistema já implantado de forma fixa em postos rodoviários, ou seja, detectar se os veículos estão com o licenciamento pago.

A diferença é que este novo equipamento é móvel, sem precisar ficar em um veículo. É o chamado radar móvel inteligente. Caso o carro analisado esteja irregular, o equipamento apita, o operador verifica os dados numa espécie de computador de bordo e, 100 metros depois, o veículo é abordado por outro patrulheiro.

O capitão Marcelo Ranheri, do Comando Rodoviário da Brigada Militar diz que em breve o radar vai detectar também outras restrições administrativas do veíuculo e ainda se está furtado ou roubado.

— O projeto é piloto, operando com sistema de banco de dados local. Depois, ele está sendo ampliado e também a tecnologia está sendo avançada no sentido de colocar ele vinculado ao banco de dados da Procergs, online, aí sim vai facilitar. Vamos ter dados reais onde a abordagem vai ser muito mais eficaz que está sendo agora — detalha.

O radar móvel inteligente começou a operar na Estrada do Mar na manhã desta sexta e a abrangência do equipamento é de 21 metros.

RÁDIO GAÚCHA


quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Empresários querem o fim da multa provisória do FGTS - Lara Ely

Projeto que extingue contribuição sobre Fundo de Garantia tramita sem aprovação há quatro anos. Governo atribui morosidade à falta de consenso

Lara Ely


Empregadores pagam 50% de multa sobre demissões sem justa causaO retorno das atividades da Câmara dos Deputados renovada reacende as esperanças de empresários que aguardam resoluções de projetos em andamento. A Câmara retoma as atividades em 1 de fevereiro com 45% de sua bancada substituída. No total, 230 dos 513 deputados não se reelegeram para o Congresso. Uma das matérias aguardadas pela classe empresarial é o Projeto de Lei 2010/2007, que concede atualização monetária às contas não optantes do FGTS (individualizadas em nome do trabalhador, mas vinculadas ao empregador), relativa às perdas provocadas pelos planos Verão e Collor I, nos períodos de 1 de dezembro de 1988 a 28 de fevereiro de 1989 e em abril de 1990.



A proposta, apresentada pelo deputado Germano Bonow (DEM-RS), altera a Lei 10.555/02, que autorizou créditos especiais para o pagamento das perdas causadas no FGTS pelos dois planos. Na época, a saída encontrada pelo governo Fernando Henrique Cardoso foi aumentar a multa rescisória do Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) paga pelos empregadores em caso de demissão sem justa causa dos trabalhadores de 40% para 50%. Do total, 40% seguiam destinados ao empregado dispensado e 10% eram destinados para cobrir o pagamento do acordo da correção do FGTS relativa aos planos Verão e Collor 1. Em 2006, o governo conseguiu honrar o pagamento das correções, mas o fundo formado com os 10% cobrados a mais do FGTS seguiu vigorando.



O texto do PL 2010/2007, segundo Bonow, preenche lacuna da Lei Complementar 110/01, que estabeleceu como seria feita a atualização dos saldos e não incluiu as contas não optantes. A opção por alterar a lei ordinária, e não a complementar, permitirá que a atualização seja feita com recursos do próprio FGTS, sem a criação de mais um tributo para financiar a nova despesa. Pelo projeto, a adesão dos empregadores, no caso das contas não optantes, será realizada no ato do crédito dos valores na conta vinculada, dispensada a comprovação das condições de saque. O prazo para a adesão será de dois anos, contados da publicação da lei, após o qual o crédito será revertido ao FGTS. A movimentação da conta vinculada observará as condições previstas na Lei 8.036/90, que estabelece os casos de saque.



Já aprovado por unanimidade pela comissão de Trabalho, de Administração e Serviço Público, o projeto foi retirado de pauta 16 vezes e ainda precisa ser votado nas Comissões de Finanças e Tributação e de Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, vai para a aprovação do Plenário.



Para o empresariado, a não aprovação do PL representa que o governo tem onerado as empresas de forma injusta, pois já se cumpriu o que era previsto na legislação. “O trabalhador não está mais sendo beneficiado. Quem é beneficiário é o próprio governo”, afirma Jaime Gründler Sobrinho, sócio-administrador da Rosário Contabilidade e presidente do Sindicato das Empresas de Serviços Contábeis e das Empresas de Assessoramento, Perícias, Informações e Pesquisas do Estado do Rio Grande do Sul (Sescon-RS). De acordo com ele, a decisão em onerar as empresas com os 10% para o FGTS era para ser emergencial, mas acabou ficando. “Faz dez anos que as empresas são punidas com isso, inclusive as que foram criadas depois desse período também estão pagando”, critica.



O montante de 10% sobre o custo de demissão pago pelas empresas vai para um fundo da Caixa Econômica Federal. É a própria instituição quem operacionaliza o fundo, mas ele é administrado por um Conselho Curador, que é a instância máxima de gestão e administração do FGTS. O conselho é um colegiado tripartite composto por representantes dos trabalhadores, dos empregadores e do governo federal. A formação atende ao disposto no artigo 10 da Constituição Federal, que determina essa composição quando os interesses de trabalhadores e empregadores se fizerem presentes em colegiados dos órgãos públicos.



Falta de consenso dificulta aprovação do projeto de lei que muda as regras

A dificuldade de negociação entre as partes envolvidas é a explicação do governo para a morosidade na aprovação do Projeto de Lei 2010/2007. De acordo com o deputado Pepe Vargas (PT-RS), que até 2010 presidiu a Comissão de Finanças e Tributação da Câmara dos Deputados, o projeto não foi votado ainda em função da falta de consenso. “Alguns projetos são retirados de pauta pela sua polêmica”, afirma. Segundo ele, projetos dessa natureza, sem acordos bem trabalhados, não são facilmente aprovados.



Presidida pelo Partido dos Trabalhadores (PT) desde 2007, a Comissão é composta por deputados de vários partidos, o que faz com que não haja unanimidade sobre a aprovação da lei em questão. A falta de consenso, segundo Vargas, também existe dentro do conselho gestor do FGTS. As opiniões se dividem em diferentes vertentes: há quem queira extinguir a cobrança dos 10%, como a maioria dos empresários e sindicatos patronais, e há quem queira manter o abastecimento do fundo. “Um projeto dessa natureza tem que passar pela opinião dos vários atores envolvidos”, afirma Vargas.



O FGTS não é usado com livre arbítrio pela Caixa, pois depende do que diz a legislação própria. “A lei que criou o tributo permite o seu uso só para financiamentos habitacionais, para moradia e saneamento básico”, explica o deputado. Como a Caixa é a detentora do fundo, mas não é responsável pela sua gestão, oficialmente a entidade não tem poder para interferir na aprovação da medida.

Sobre uma possível resistência da Comissão de Finanças e Tributação, Pepe Vargas ressalta o fato de que nas comissões anteriores pelas quais a matéria passou não houve um tratamento sob o ponto de vista da adequação financeira e orçamentária.



Segundo ele, aspectos legais devem ser levados em conta. “Em 2010, 50% das proposições apreciadas pela comissão na Câmara dos Deputados não tinham adequação financeira e orçamentária”, explica. Alguns dos motivos são o desconhecimento da matéria e a falta da análise de mérito.



Como solução para o problema do PL 2010/2007, o deputado entende que caberia ao autor da matéria buscar uma negociação mais ampla, construir alternativas para a sua aprovação e colocar substitutivo para apreciação. “Essa é a tendência do projeto, já que o tema é polêmico.” ara o ex-deputado Germano Bonow, que não concorreu à reeleição, a falta de simpatia do antigo governo ao projeto não significa que a atual gestão deixará o debate de lado. “Por se tratar de outro governo, é possível que possa haver uma nova visão do processo”, afirma.



Conflito de interesses prejudica

O problema central da questão do FGTS é que o governo pagou o empregado e não desonerou o empregador. O fato gera polêmica ainda hoje, quatro anos depois do acerto de contas da Caixa Econômica Federal com os trabalhadores. Em 2007, o banco fez um programa de pagamentos para que funcionários demitidos recebessem as correções do FGTS decorrentes dos planos Verão e Collor 1, fundo formado com a multa provisória de 10% sobre a rescisão do FGTS cobrada do empresariado.



Porém, até hoje as empresas seguem oneradas em 50% sobre o fundo do funcionário. Segundo o consultor tributário Nielon José Meirelles Escouto, o fundo fica para cobrir essas contas que eram dívida do governo, adquiridas nos planos Bresser e Collor. “O governo diz que fez a sua parte, mas são as empresas que estão pagando a conta”, afirma.



Ele recorda que no ano de 2006 se cogitou reduzir a cobrança, mas a decisão acabou sendo empurrada para 2012. Na visão do tributarista, a resolução está sendo dificultada em função de interesses. “A Caixa não está deixando os deputados aprovarem um projeto de lei que vai favorecer as empresas. Ela está indo contra os empresários, e os deputados se curvam diante da Caixa”, afirma. Segundo ele, o projeto está enxuto e não precisa de emendas.



Caixa Econômica Federal esclarece em nota

A Caixa Econômica Federal esclarece que a criação da contribuição social teve o objetivo de cobrir todas as despesas que o FGTS teria com o pagamento dos complementos dos planos econômicos, tanto pela via administrativa (acordo previsto na LC 110) quanto pela via judicial. Sabe-se, também, que a LC 110/2001 não estabelece prazo final de vigência da contribuição social de 10%, que é devida no caso de demissão sem justa causa.



A não definição desse prazo decorreu do fato de que, desde o princípio, se previa que uma parcela dos trabalhadores não iria aderir ao acordo e continuaria acionando a Justiça para obter a aplicação dos índices questionados (dos cerca de 38 milhões de trabalhadores que teriam direito aos complementos na forma da LC 110, mais de 32 milhões aderiram ao acordo). O pagamento a quem aderiu ao acordo foi concluído em 2007 e ainda existem cerca de 200 mil ações tramitando na Justiça relativas aos trabalhadores que não aderiram ao acordo.



Para fazer frente aos gastos com os acertos realizados via judicial, o FGTS tem em seu balanço uma provisão da ordem de R$ 11,4 bilhões. A despesa do FGTS com o pagamento desses complementos, pela via administrativa e judicial (cerca de R$ 50 bilhões), somente será totalmente recomposta em julho de 2012 e essa recomposição está sendo feita com a arrecadação da contribuição social em comento, na forma prevista na LC 110. Em relação aos Projetos de Lei que tramitam no Congresso Nacional, a posição da Caixa tem sido no sentido de que a fixação de data para o fim da exigibilidade da referida contribuição social deve levar em consideração o prazo de recomposição das despesas impostas ao FGTS.


Fonte: http://jcrs.uol.com.br/site/noticia.php?codn=53014&fonte=news